Hoje tem Oscar, gente.
Segue a lista dos meus favoritos, por ordem:
Melhor filme:
1. A Árvore da Vida
2. Meia-Noite em Paris
Melhor Diretor:
1. Terrence Malick, por A Árvore da Vida
2. Woody Allen, por Meia-Noite em Pair
Melhor Atriz:
1. Tilda Tilda Tilda, por Precisamos Falar Sobre o Kevin
- mas como ela não foi indicada -
1. Meryl Streep, por A Dama De Ferro
(todas as atrizes estão bem, na minha opinião, com destaque pra Rooney Mara, por O Homem Que Não Amava as Mulheres. Só não vi a Glenn Close)
Melhor Ator:
acho todos meio fracos, sério
1. Jean Dujardin, por O Artista
Melhor Atriz Coadjuvante:
empate aqui
1. Octavia Spencer E Jessica Chastain, por Histórias Cruzadas
Melhor Roteiro Original
1. A Separação
2. Meia-Noite em Paris
Melhor Filme em Língua Estrangeira
1. A Separação
Melhor Roteiro Adaptado
1. Os Descendentes
Acho que é isso!
Os atores coadjuvantes de Sete Dias Com Marilyn (Keneth Branagh) e o de O Homem Que Mudou o Jogo (Johan Hill) merecem o prêmio.
aqui . entre . nós
23.2.12
19.2.12
15.2.12
13.2.12
Que bom que fui ao teatro esse final de semana! Que bom que fui ver "Sobre Trutas, Cibalenas e Olhares", da BR S.A., coletivo de artistas.
Em meio a este deserto em que se encontra a tão interessante (só que ao contrário) produção local, as opções teatrais se dividem em companhias I-wanna-be-os-melhores-do-mundo, stand-ups desprovidos de qualquer bom humor ou senhores caquéticos fazendo graça com palavrões. Que sem graça!
Aí até desanima a pessoa, né? Ir ao teatro pra quê? Passar raiva? Passar vergonha alheia? Prestar o próximo concurso?
Bem, venci a preguiça (que gosto de chamar de leve fobia social - segundo meu terapeuta, precisamos investigar isso mais a fundo) e fui ao simpático E.T.C.A, ali na 711 norte, ver a empreitada desse pessoal.
Não se deixe enganar com o título do espetáculo: "Sobre Trutas, Cibalenas e Olhares". Título é difícil de dar mesmo, gente. Talvez o mais difícil. Eu não acho ruim. Acho pouco atrativo, mas não ruim. Ah, antes que eu me esqueça: o local da apresentação é bem legal, energia boa mesmo... Tenho preguiça de ver teatro ou espaços culturais com aquela mesma cara folclórica de sempre. Este não. O E.T.C.A, que também é escola de teatro, tem todo um charme. Vale uma visita mesmo pra quem não for ver a peça, só pra conhecer.
O "Sobre Trutas..." tem como base dramatúrgica o conto "Olhar", do Rubem Fonseca. Mas isso nem importa. É claro que o texto original foi todo repicado, fragmentado, picotado e desconstruído. Se não fosse assim não seria contemporâneo, né? Nem pós-dramático. Talvez nem dramático fosse! E a gente de teatro quer ser super contemporâneo. Quanto mais pós-dramático, melhor. Aí a gente leva a tecnologia pro palco: parafernalhas digitais, projeção de imagens da plateia feita ali ao vivo, filminho com uma externa mesmo, de verdade, e joga tudo no palco. Até créditos subindo no final a gente quer! Quer ler verbetes, dar explicações, falar do processo criativo enquanto-ator-enquanto-pessoa-enquanto-ser-pós-dramático-enquanto-biomecânico-enquanto-performace. A gente é/ama performance! Demolimos a quarta parede, colocamos música ao vivo, cantamos no microfone, mesmo o espaço sendo bem pequeno... E cigarro?! Se não tiver ator fumando, ih... Na verdade eu acho que o que a gente queria mesmo era ter nascido em Berlim!
Tudo ao mesmo tempo e agora. O problema disso é que toda vez que a gente "está" contemporâneo, deixamos de ser contemporâneo. Entende? Não?! Eu acho que uma vez confortável dentro da contemporanieade, a gente já ta atrasado. Tipo Eugenio Barba, Peter Brook, Beckett, Gerald Thomas são super contemporâneos?! É isso?! Onde, gente? Me mostra.
Só sei que, no geral, estamos com bode de texto com começo, meio e fim, dramaturgia linear, cada ator fazendo um só papel, porta que abre e fecha... Sabia que ando achando isso super contemporâneo? Realismo, cronologia, telefone que toca, copo que é copo, cadeira que é cadeira, ator que faz papel de homem e atriz de mulher, figurino comprado em loja... Acho vanguarda, acho futuro.
O que interessa aqui é que o "Sobre trutas..." faz uso de toda a quinquilharia (toda mesmo, eles não deixam escapar uma, ta tudo ali) e fica super bem resolvido. Sério. Funciona. Não sei como, mas funciona.
Aliás, uma grande qualidade do trabalho é a amarração, a finalização, o cuidado. Ta tudo bem bonito e as coisas não pifam em cena, a gente consegue ver o que ta projetado, o som entra na hora certa e na altura certa e ao tocar guitarra não rola cacofonia... Lindo isso. Raro até.
Porém, o que é lindo de verdade é o trio de atores: Lidiane Araújo, Denis Camargo e Gustavo Reinecken. Uma delícia ver essa pequena trupe em cena. Eles estão MUITO bem. Lidiane arrasa de secretária e tem uma cena de declamação de poesia impagável. O Reinecken eu ainda não conhecia e ele é do caralho! Costura bem o espetáculo com suas interferências, mexe com propriedade nos aparelhos tecnológicos, ta em casa. E é bonito de olhar, não cansa a vista. Denis tem uma grande cena no espetáculo e você acredita nele quase o tempo todo! Bem, não vou dar um de spoiler aqui. Mas fiquei com vontade de ver as próximas realizações da Cia. E a cena da entrada da plateia é genial!
O "olhar geral" é da Kênia Dias. Bem, o que "olhar geral" quer dizer exatamente eu não sei. O que sei é que é muito delicado essa coisa de direção-final, de chegar num processo já avançado, com muita coisa em pé, mas a Kênia é uma diretora sempre interessante, esperta. E é importante esse olhar novo e fresco de alguém de fora do esquema, pra desatar uns nós, clarear um pouco as ideias.
O meu "olhar geral" é sempre Rachel Mendes, desde Dois Perdidos, em 2003. Santa-Rachel-Desatadora-Dos-Nós. A Kênia já fez algumas coisas bem legais recentemente. E o bom dela é que mesmo sendo acadêmica, não ficou chata, dura, nem cabeção demais. Os trabalhos dela, apesar de rigorosos e super precisos, comunicam bem, são simpáticos. Acho que todo mundo viu o "Páginas Amarelas", né? Eu gostei muito do "De Água e Sal" (me confundi, não sei o nome de uma peça, que era sobre cartas e mapas... e tinha umas projeções, a luz era do Dalton... de 2006, acho que a direção era dela).
Bem, a ficha técnica do "Sobre Trutas, Cibalenas e Olhares" ta cheia de gente legal: Marco Michelângelo, Patrícia Marjorie, Geórgia Rafaela, Wilzy Carioca (que falou que pra eu cantar no espetáculo "A Quatro", ela precisaria de alguns bons meses de processo comigo. O que não rolou e no fundo foi ótimo: me liberou dos ensaios de voz matinal e eu só dublava na hora da peça).
Impossível mesmo é não falar do cenário do Flávio Alcântara. Fodão!
Então, é isso. Se virem e apareçam no teatro.
Tem que ir. Tem que ver.
a foto não ta boa não e nem faz justiça ao espetáculo.
Abstrai aí.
SOBRE TRUTAS, CIBALENAS E OLHARES
até 26/02
sextas e sábados às 21h e domingo às 20h
E.T.C.A, 711 Norte, Bloco C, loja 5 (fica numa esquina, na W5, tipo setor de oficinas, sabe?)
tem um site deles: http://www.confins-artisticos.com
R$ 20,00
O telefone é 3274-8160 (liga logo e reserva um lugar pois são só 30 lugares por sessão)
*parece que há um debate/bate-papo/coquetel após a sessão do espetáculo. Eu não pude ficar. Então vá preparado pra ficar um pouco mais por lá.
12.2.12
Ouvi muito esse disco no Rio de Janeiro, onde fui morar em 1999. Quem me apresentou foi uma prostituta, que morava na mesma pensão que eu. Ela amava/era Whitney. Toda noite, ao se arrumar para ir trabalhar na boate "Help" e caçar um gringo disposto a pagar 100 dólares pra transar, ela colocava este CD no som portátil, fazia caras e bocas, pedia pra eu traduzir as letras. Uma atriz, essa Andréia - seu nome de guerra! Eu tinha 19 anos. Ela, 35. Dizia que tava ficando velha pro serviço, que queria voltar pra região dos Lagos, onde a mãe morava com a sua filhinha.
Eu dava pitaco nas roupas, no cabelo, na atitude... Ensinava umas frases em inglês pra ela interagir melhor com os clientes. Éramos amigos. Eu falava de teatro, da Nova Zelândia (de onde eu tinha acabado de voltar do intercâmbio), de Brasília... E ela falava da vida de forma mais ampla. Sempre séria. Sempre pragmática.
A gente fumava uns cigarros, beliscava alguma coisa (ela tinha potes de salgadinhos sabor bacon/pizza/queijo/frango - desses comprados à granel em supermercado, super crocantes, ocos por dentro, sabe?), ouvíamos Whitney non-stop.
Andréia era feia de cara e boa de bunda. Pele esburacada, dentinhos estranhos, cabelo loiríssimo nem cacheado nem liso. Lindos peitos, porém. Ela cheirava a cravo e canela - um perfume manufaturado pra chamar cliente, segundo ela.
Seu quarto era o segundo melhor da pensão (tinha uma varanda grande, onde ela cultivava vasos de plantas. O melhor quarto era o da dona da pensão, claro). A pensão ficava na República do Peru, em Copacabana. Uma casa de três pavimentos, toda branca, na esquina com a Toneleros. Um pequeno hospício!
O quarto dela estava sempre esfumaçado. Andréia tinha mania (a péssima) de incenso. Quando ela saia pra fazer a pista, me emprestava o sonzinho pra eu levar pro meu quarto. Nesta época eu só dormia ouvindo música. Não ouvia Whitney. Em 1999 eu ouvia The Smiths - mas não muito pra não ficar deprimido. Aretha Franklin, Alanis Morissette, Janis Joplin, Os Mutantes, Beatles... por aí. O acordo era eu deixar sempre a porta do meu quarto destrancada. De manhã, depois da labuta (sim, a gente não estava autorizado a levar ninguém pra pensão, apenas nas áreas sociais e preferencialmente de dia), Andréia-cansada-de-guerra pegava o seu aparelho de som de volta, sem me incomodar. Ela era discreta.
Eu levantava cedo pra ir pra escola de teatro, lá em Laranjeiras. Às tardes eu gastava na praia ou estudando algum texto ou num cinema em Botafogo (que a gente podia fumar durante a sessão) ou trepando. E toda noite (menos segunda-feira - dia de folga pras putas e pros atores), eu e Andréia trocávamos ideias em seu quarto esfumaçado.
Em alguns finais de semana, ela me levava pra comer bem, num self-service mais caprichado da Nossa Senhora de Copacabana. E íamos sempre de mãos dadas. E aproveitávamos pra dar uma sambadinha na cara da sociedade: ela, 15 anos mais velha, nitidamente puta, e eu, com minhas roupas de inverno da Oceania, completamente esquisito, passeado de mãos dadas. Ela adorava causar. E eu também. Andréia achava um absurdo a minha dieta trash: "Assim vai enfeiar, comendo só porcaria. Sua mãe sabe do que você se alimenta? Aposto que se soubesse te mandava voltar pra casa na hora!"). Comi muito bem ao lado dela.
Alguns meses depois da minha chegada ao Rio e à pensão de Copa, me mudei para o Leblon (subi de vida, gente) com outros estudantes.
Andréia me deu o CD da Whitney de presente.
E foi assim que conheci essa cantora meio santa, meio louca, romântica pra caralho, linda, com um pé no gospel sem ser totalmente chata... Ouvi muito esse CD e é batata: Whitney me transporta pra Copa, pro quarto da Andréia e pros cheiros todos do lugar.
Saudades, Andréia.
até do seu perfume de canela.
11.2.12
Escrevendo o texto novo. E está tudo bem... Adoro escrever dramaturgia. Mesmo. É incrível o quanto dá pra falar em diálogos, apenas diálogos. E esconder através deles também. E disfarçar, mesmo no meio de um monte de palavras.
To usando o meu material do momento. E aí fica mais legal ainda. Afinal, mexer com essas situações vividas e moldá-las pra caber na boca dos personagens me estimula, me clareia as ideias, refresca a cabeça.
Sobre o material... é isso mesmo: o casamento, o cotidiano, os desgastes normais e talvez inevitáveis - fora os medos e questões que ficam pendentes sempre, mesmo escrevendo muito, mesmo na terapia, mesmo feliz, ou quase feliz. Aí tento resolver primeiro no diálogo de ficção e depois no diálogo da vida real.
Sinto falta do silêncio. Tento abstrair o chamado pro mato, pra roça... Planejo mentalmente a mudança de ares. Cozinho (mais do que eu gostaria - mas acho que resolvi essa questão pra semana que vem), vou pra natação, mudo umas coisas de lugar, folheio um livro, vejo TV (nas últimas semanas, mais do que eu gostaria também). Agora inventei de estudar um pouco de francês - uma hora por dia, pelo menos.
E vou tentando permanecer por aqui. E vou conseguindo.
4.2.12
Últimas apresentações do Dois de Paus gaúcho.
Corre, gente!
Onde:SALA ÁLVARO MOREYRA
AV. ERICO VERISSIMO, 307 CENTRO MUNICIPAL DE CULTURA
Corre, gente!
Serviço:
O quê: Espetáculo Teatral Dois de Paus
Quando: Dias 9, 10, 11 e 12 de fevereiro (Quinta a domingo) sempre às 21hOnde:SALA ÁLVARO MOREYRA
AV. ERICO VERISSIMO, 307 CENTRO MUNICIPAL DE CULTURA
AR CONDICIONADO E ESTACIOANMENTO NO LOCAL.
Pontos de Vendas Ingressos Antecipados Porto Verão Alegre 2012
Praia de Belas Shopping e DC Shopping
Praia de Belas Shopping e DC Shopping
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