31.3.12

Com a idade chegando e quase todo mundo tendo filhos e mais filhos (como se nada tivesse acontecendo - um espanto!) fico percebendo que não vou fazer parte desse grupo de pessoas abençoadas e superiores, cujo ato de procriar fez deles seres-superiormente-interessantes-que-conhecem-o-amor-verdadeiro-e-incondicional-e-suas-vidas-agora-finalmente-estão-repletas-de-sentido. Tenho muitos sobrinhos. Tipo, muitos. E afilhados também. Ou seja, muitas festas de criança. E não sei o que acontece, mas não quero fazer parte desse mundo de pais. O mundo de tio já ta bom. Agora, eu gostaria de ter o direito de não ir à festa infantil. Ah, isso eu queria. Mas pra todo mundo, não sei se vocês já repararam - é ofensa das grandes faltar ao aniversário do sobrinho ou da filha da amiga ou da sobrinha do marido. Nem usando a desculpa de fobia social consigo me livrar. O que faz com que eu tenho certa raiva do povo com filhos. Não é inveja por eles serem tão mais evoluídos e abençoados e conhecedores de um amor que só cresce. Imagina! Longe disso. É raiva mesmo. Raivinha. Parem de procriar! Já deu. O planeta ta saturado de gente. E eu, saturado de brigadeiro, música ruim, cupcakes (super tendência) e jujuba! 

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